Crónicas Soltas

Jorge Palma (1950-2026)

23 de Setembro de 2026

Por vezes, a melhor forma de homenagear alguém é simplesmente regressar àquilo que nos deixou.

No caso de Jorge Palma, mais do que ouvir as suas canções, vale a pena parar para escutar as suas palavras. Porque há músicos que nos oferecem melodias, e há outros que, através delas, nos oferecem também pedaços de vida.

As letras de Jorge Palma são assim: fragmentos de histórias, de inquietações, de amores e desilusões, escritos com uma autenticidade que atravessa o tempo. E talvez seja essa a melhor forma de o recordar — voltando às suas canções, não apenas para as ouvir, mas para as sentir e descobrir, uma vez mais, tudo aquilo que nelas permanece.

Porque um músico verdadeiramente grande não desaparece quando a sua voz se cala. Continua a viver naquilo que escreveu, naquilo que cantou e, sobretudo, na memória de quem o escutou.

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A Gente Vai Continuar
Jorge Palma

Tira a mão do queixo não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas pra dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem á batota
Chega a onde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota

Enquanto houver estrada pra andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada pra andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
A liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo

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